Escritor resende-costense ganha prêmio da Academia de Letras da Bahia – Douglas Caputo



Com o livro “Amores Oblíquos”, Evaldo Balbino desbancou 76 concorrentes de 13 Estados. Obra completa deve ser lançada em maio

Sim. Machado de Assis é um dos autores preferidos do resende-costense Evaldo Balbino.

Não por acaso o título que nomeia sua última obra flerta como olhos oblíquos e dissimulados de Capitu, personagem central do livro “Dom Casmurro”, que até hoje questiona a marginalidade do amor, como o adultério.

Com “Amores Oblíquos”, Balbino estreou no gênero conto e rapidamente despertou o interesse da crítica.

Prova disso veio com o primeiro lugar no Prêmio Nacional Braskem da Academia de Letras da Bahia, na categoria Conto 2012, no final de fevereiro.

São 12 narrativas curtas que integram Amores oblíquos, todas com uma mesma temática, o amor e suas passagens inesperadas.

“Nada é linear, temos desvios, margens que não são aceitas. As relações humanas, familiares, os amantes, todas essas questões são perpassadas pelo desejo, e muitas vezes ocupam as margens não aceitas pela sociedade”, acentua Balbino.

Para estrear na narrativa dos contos, Balbino toma a realidade como elemento essencial para as imagens que aparecem em Amores oblíquos.

“A ficção está plantada na realidade viva. Ela é parte da experiência, da memória. Para tecer a ficção, a alma do escritor é perpassada pelas pessoas de carne e osso. A realidade é a porta da partida”, conclui Balbino.

 Móbiles de areia 
Móbiles de Areia

Esse foi o primeiro livro em prosa de Balbino, lançado no ano passado. Nele, o escritor selecionou 33 crônicas que estão publicadas no Jornal das Lajes.

“Elas têm muito de autobiográfico. Eu procuro resgatar a infância, a memória, a imagem  materna. Penso que nenhum autor introspectivo, como é o meu caso, consegue se livrar da figura da mãe, que possui até um viés edipiano”, comenta Balbino em relação ao Complexo de Édipo, teoria freudiana do filho que se vê preso à personagem materna.

Se a mãe sobrevive na alma do autor, é porque ele transita por diferentes espaços e tempos, aquilo que estudiosos chamam de entre-lugar, um lugar em que o presente é descontínuo e a presença do narrador é deslocada para outras ambientações.

“Sempre trabalhei com a experiência do entre-lugar, dos tempos infinitos. Em toda minha obra tem muito disso, eternizar o passado em dimensões que nunca se esgotam”, completa Balbino.

Como bom poeta, Balbino sofre ainda da angústia de demonstrar com palavras os sentidos do corpo e da alma.

“Os signos, principalmente o verbal, não traduzem os sentimentos, as sensações do corpo. Então me sinto sempre preso à impossibilidade de dizer aquilo que não se pode dizer”, reflete o escritor.

 Balbino
Apesar das veredas pela prosa, o resende-costense se considera mais poeta do que prosador. E, como disse o jornalista Otto Lara Resende, morto em 1992, o escritor mineiro sofre de bibliofobia, já que quer, até o último momento, repassar o texto, conseguir a perfeição.

Apesar de não citar esse mal, Balbino, como escritor das Minas Gerais, também padece com o constante enfrentamento com aquilo que escreve.

“É um fazer e um refazer constante. Um apuro com a língua, pois a linguagem tem que ser produtiva, trabalhar a memória, o sagrado, o desejo. Nossa totalidade transcendente e imanente de busca, de um Deus que está nas nuvens, mas que só está lá porque foi projetado por nós”, comenta o autor.

O escritor resende-costense nasceu em 1976. Em 1995 mudou-se para BH, onde é professor de Língua portuguesa na UFMG. Entre os títulos universitários, acumula mestrado e doutorado sobre a escritora mineira Adélia Prado.

Ao todo, possui três livros publicados: Moinho (poesia, 2006); Filhos da Pedra (poesia, 2012) e o cronístico Móbiles de Areia (2012). Além disso, é colunista no mensal Jornal das Lajes, de Resende Costa, com a seção “Retalhos Literários”.

Com essas obras, Balbino coleciona vários prêmios: Associação Palácio das Artes/ Fundação Clóvis Salgado pelo Suplemento Literário de Minas Gerais; menção honrosa no Prêmio Eugênio Coimbra de Poesia (Pernambuco); menção honrosa no 7º Concurso de Contos Paulo Leminski; Troféu Florbela Espanca de Poesia; menção honrosa no 10º concurso de Poesia Raul Leoni (Petrópolis), 1º lugar no 3º Concurso Alfenense de Poesia; 1º lugar no 3º concurso de poesias Fábio Montenegro (Praia Grande, São Paulo).

 Disponível em http://www.credivertentes.com.br/?pagina=integra&cd_noticia=182.
Acesso em 10 de março de 2013.