Vencedor Prêmio Nacional Braskem / ALB lança hoje o seu livro – Salvador Acontece



Após vencer o Prêmio Nacional Braskem da Academia de Letras da Bahia (ALB), o poeta e escritor mineiro Evaldo Balbino lançará oficial e nacionalmente o premiado livro Amores Oblíquos (Rio de Janeiro: 7Letras, 213, 112 p.). A cerimônia acontecerá na noite de hoje, dia 28 de maio, no solar Góes Calmon, sede da ALB, em Salvador/BA, às 18 horas.

Evaldo Balbino é um dos nomes que vêm se despontando na literatura mineira. Concorrendo com 76 outros originais, oriundos de 13 estados brasileiros, Amores oblíquos destacou-se, segundo a comissão julgadora, “pela densidade psicológica dos personagens em contos que transitam em torno da temática amorosa”, e a sua publicação pela editora 7Letras é parte da premiação.

O livro compõe-se de 12 narrativas curtas e marcará a já bem-sucedida estreia de Balbino no gênero conto. “Nos contos, o amor é o ponto central e o sentimento é tratado em diferentes níveis. Eu discuto desde o amor entre os familiares, até a experiência entre amantes. O passional, assim, atravessa tudo e ora é evidenciado por narradores masculinos, ora por narradores femininos”, acentua o autor.

O título do livro flerta como os olhos oblíquos e dissimulados de Capitu, personagem central do livro Dom Casmurro (de Machado de Assis), que até hoje questiona a marginalidade do amor, como o adultério. “Nada é linear, temos desvios, margens que não são aceitas. As relações humanas, familiares, os amantes, todas essas questões são perpassadas pelo desejo, e muitas vezes ocupam as margens não aceitas pela sociedade”, acrescenta Balbino.

Outros pontos da obra revelam um autor leitor de Machado de Assis. “O que é o homem senão o extremo da opacidade, uma vez que águas transparentes existem apenas dentro de nós?” Essa indagação do narrador do conto “A espera” é lida como instigante pelo escritor baiano Aleilton Fonseca, que assina a orelha do livro. “Flui com uma cadência de conversa amena, cheia de sutilezas e tonalidades machadianas. O conto dialoga com a trama de “Missa do galo”[de Machado de Assis]. E nos apresenta uma mulher de nome emblemático, e relegada pelo marido, que nos sugere uma Conceição contemporânea”, completa Fonseca.

O conto de abertura do livro, “Dama-entre-verdes e espinhos”, traz uma releitura do Romantismo e, pelo viés memorialístico de um narrador menino-adulto, aborda um amor platônico e marginal pela trágica Ismália, uma espécie de Iracema reconstruída. Protagonizada por uma prostituta, a narrativa do último conto, “Dama da Noite”, abarca ainda outros temas como o preconceito. “Ela é uma mulher que está na terceira idade e acaba perdendo uma filha. Quando vai velar o corpo dela, ninguém da pequena cidade comparece, permanecendo sozinha durante toda a noite. Então, nesse conto, outras questões, como a exclusão, também se tornam presentes”, observa Balbino.

Amores oblíquos é o quarto livro do versátil, audaz e promissor poeta, escritor e cronista Evaldo Balbino, que já vem rompendo fronteiras dos gêneros literários e colecionando prêmios, ao todo 17. É autor da poesia de Moinho (Scriptum, 2006) e Filhos da pedra (Nelpa, 2012) e da crônica de Móbiles de areia (Amirco, 2012). Evaldo Balbino já tem outros livros inéditos prontos (01 de contos, 01 de crônicas, 01 romance, 02 de poemas e 02 de poesia infantil).

Disponível em http://www.salvadoracontece.com/2013/05/vencedor-premio-nacional-braskem-alb.html. Acesso em 23 de junho de 2013.