O pintor

Evaldo Balbino

É com palavras que faço pinturas. Desenho esboços para a eternidade. Não há nenhuma presunção no que digo. A eternidade de que falo é um flash dado por minhas mãos brancas e cansadas, porém retratistas. Coisas e cenas e pessoas são congeladas. Bichos também. E todos ficam entre palavras presos, mas para sempre cheios de vida. Pois […]

(Do livro Móbiles de areia)

Continue

Promessa é dívida

Evaldo Balbino

Chico Cota tinha chapéus que não acabavam mais. No seu quarto, dependurados em pregos, os chapéus substituam quadros, mas tinham que dividir espaço com o mártir São Sebastião. Cantador em Folias de Reis, enchia a boca com as palavras “Santo Mártir, ai, ai!”. Quando não falava do santo perfurado a flechadas, punha-se a dizer sobre […]

(Do livro Móbiles de areia)

Continue

A BOA MORTE

Evaldo Balbino

Os velórios são ainda, nas pequenas cidades, uma coisa muito fina, de uma finura mesmo. E isso porque vamos encontrar neles certa alegria. Uma alegria triste, é verdade. Mas aí até mesmo a tristeza busca vestimentas que nos conformam a todos. Com roupas sóbrias, a tristeza permite-se outras vestes. Tecidos mais soltos, cores de uma […]

(Do livro Móbiles de areia)

Continue