Moinho – 2ª edição

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Descrição

A poesia de Evaldo Balbino, estampada no livro Moinho, transita, hábil, por sólidos e tradicionais veios, como as trilhas aladas de Cecília Meireles: “Escrevo porque o tempo insiste / e a minha vida está incompleta.” – “(Des)motivo”. O próprio título acolhe uma dimensão circular, de uma operação que se repete no tempo, afeita a triturar grãos. O forte simbolismo da preparação do alimento enriquece o ofício, concebido como aprendizagem e partilha de conhecimento. Recupera por vezes o estatuto primitivo do vate, de procedência ancestral, o bardo arrebatado, posto em delírio: “Minha alma é secular / como o meu corpo. / Quer copular antes da morte / que os come.” – “Um modo”. Como tal, não logra desvencilhar-se da espessura amarga de vaticínios: “Deixarás a tua mãe, o teu pai, / e te ajuntarás a uma mulher; / e ambos serão um só corpo, uma só carne. // Mas não estarás fora da correnteza.” – “Lavoura arcaica”.

Pulsando em rotas contraditórias, inerentes à contingência existencial, o poeta faz emergir, simultânea à aferição da implacável condição humana fadada ao sofrimento, o reiterado apelo à fruição: “Vivamos, / mesmo que os moinhos estejam mortos / e o que se trituram / são apenas sonhos.” – “Clareira”. O sujeito poético, impulsionado pelo labor de escolher e misturar palavras, equilibra-se, exposto às intempéries, entre o rigor e a impassibilidade da pedra e a leveza do ar: “Escrevamos / um moinho de pedra / incorruptível” – “Clareira”. Escrever impõe-se como atividade fundamental, exercida sob “o nervoso atrito de meus dedos.”, incapaz de eliminar o sentido da urgência: “dia após dia eu não tenho / nada mais que palavras se ofertando / ao sustento infindável de meus sonhos.” – “Entre duas margens”.

Edgard Pereira

Escritor e ensaísta

 

Informação adicional

Edição

2ª Edição

Ano

2021

Gênero

poesias